Reabilitação ganha espaço e tem mais de 600 ouvintes no Congresso Comdor-Medvep em Campinas

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A medicina veterinária está abrindo cada vez mais espaço para a terapia multimodal, neste cenário a medicina física e de reabilitação surge para auxiliar os pacientes com dor. “Contribui para diminuir a carga de medicação, trazer qualidade de vida e complementando, muitas vezes, casos em que a terapia é o alvo do tratamento”, diz a coordenadora da pós-graduação em Fisioterapia, Fisiatria e Reabilitação Veterinária do Instituto Bio ethicus, diretora do Centro de Fisioterapia e Reabilitação Veterinária Fisioanimal, Maíra Formenton, que apresentou três palestras no último dia de Com dor.

A primeira delas fala sobre “Reabilitação Física em Cães e Gatos com Dor Crônica”. Para a médica é preciso entender o papel que um exercício terapêutico ou um fortalecimento tem no controle da dor. Na sua avaliação, hoje há casos de pets que são sedentários ou obesos, “situações em que a reabilitação atua com bastante força”. Uma das consequências desse tratamento é a reaproximação entre o tutor e o seu animal, fazendo com que se reconstrua a relação.

Em um segundo momento, Maíra falou sobre ”Síndrome do Imobilismo: Uma Condição Silenciosa no dia a dia de Cães e Gatos”, que é a falta de movimentação dos bichos. “São animais que foram para dentro de casa e começaram a mexer cada vez menos a ponto de desenvolverem esta doença, que é o imobilismo”, diz. Geralmente acomete pacientes idosos que, segundo a especialista, praticamente não andam e ficam isolados do convívio familiar. “Há uma quebra de vínculo e é um ciclo, porque tem dor não anda, não anda porque tem dor. A imobilidade em si agrava muito os quadros de dor”, afirma. Maíra é enfática ao dizer que a imobilidade é uma doença e que, cada vez mais, ela aborda o tema para instigar aos profissionais a não deixarem os bichos quietinhos. “Deve-se ter um equilíbrio entre o repouso e a movimentação”.

O terceiro tema da veterinária foi “Diagnóstico e Abordagem Terapêutica da Dor Miofascial”, que é primordialmente do músculo esquelético. De acordo com Maíra, a musculatura e o complexo de dor miofascial chega a ser responsável por 50% das manqueiras nos animais. “Se tem um paciente com artrose, é característico ter juntamente uma dor miofascial. Por vezes, o veterinário dá analgesia que gera resultado no início, mas com a regressão e a volta da dor, a conclusão é de que houve uma falha de medicamento. Quando, na realidade, a dor pode ser de origem muscular”, explica. Estudos mostram que o tratamento deve ser focal, direcionado à musculatura específica, com massagens, liberação miofascial, alongamento e fortalecimento. “Se o músculo não for tratado, o resto não melhora”, diz. Apesar de ser um tema novo na medicina veterinária, é amplamente di-
fundido na medicina humana. “É importante entender que um tratamento não exclui o outro. São terapias que trabalham em conjunto, que complementam uma a outra”, finaliza.

A ozonioterapia é uma técnica que usa o gás ozônio de forma terapêutica, cada vez mais disseminada na área da medicina veterinária nos últimos anos, apesar de já ser conhecida no Brasil há pelo menos 40 anos, aplicada na medicina humana. Para falar sobre o tema, o Comdor 2019 conta com o coordenador do curso de Ozonioterapia em pequenos animais da Fisioanimal Cursos, professor convidado no Instituto Bioethicus e da Universidade Incisa Imam, César Braz do Prado. “A abordagem é sobre os efeitos analgésicos e anti-inflamatórios da técnica aplicada em casos de dor crônica em cães e gatos”, fala. Prado afirma que nos últimos cinco anos a técnica se tornou mais popular, com cursos de capacitação, indicação de profissionais e pesquisas sobre o assunto.