ESTUDANTE DE MEDICINA VETERINÁRIA PRIORIZA PARTICIPAÇÃO EM CONGRESSOS COMO FONTE DE CAPACITAÇÃO E ESPECIALIZAÇÃO

Dados de pesquisas realizadas pela Comissão de Animais de Companhia (Comac), neste ano de 2017, nos auxiliam em uma análise do perfil dos futuros profissionais e também em um retrato do mercado do ponto de vista do médico-veterinário. Tal combinação de informações é importante para melhor entendimento sobre o que está acontecendo (e mudando) em nosso setor.

Com o reflexo do aumento dos cursos de graduação é possível notar também crescimento no número de estudantes em congressos técnicos que debatem o cuidado com pequenos animais. Segundo dados da Comac, a participação do graduando passou de 55% para 64%, em apenas dois anos. Outro ponto que vale destacar é que 73% destes estudantes não trabalham ou fazem estágio, o que nos faz concluir que, durante esse período, dão prioridade ao conhecimento técnico e teórico – 70% preferem os livros como meio de atualização, em detrimento à experiência prática.

Cirurgia, ortopedia, emergências e neurologia são as especialidades que mais interessam aos universitários e, juntas, representam 46% do total entre as 28 especialidades – tais dados nos dão indícios sobre o perfil do veterinário que estará no mercado em dois ou três anos.

Dos veterinários que já estão no mercado de trabalho, 34% tem menos de três anos de formação e 32% entre 4 e 10 anos.

Reflexo da crise ou não, o médico-veterinário tem buscado congressos como forma de atualizaçãoe, segundo dados da comissão, a participação nesses eventos passou de 21% para 27%. Em segundo lugar, a procura por publicações científicas e livros representa 26%.

Diante da preferência por congressos para atualizações e especializações, nota-se uma queda no número de profissionais pós-graduados, que passou de 82% para 70% em 2 anos. Entre os que optaram pela pós, os temas de maior interesse são variados, mas, três deles têm maior destaque: emergências, felinos e dermatologia correspondem a 42% do total.

Houve diminuição do interesse por congressos por parte dos veterinários que trabalham em estabelecimentos exclusivos de serviço de saúde e aumento daqueles que atuam em estabelecimentos mistos (com pet shop ou que oferecem banho e tosa, por exemplo). O número de veterinários que atuam em clínicas e consultórios com pet shop cresceu de 40% para 52%, já aqueles que trabalham em hospitais ou clínicas especializadas caiu para 12%.

Em relação às prescrições de medicamentos, os antimicrobianos correspondem a 15% do total, seguidos pelos anti-inflamatórios e vermífugos que correspondem a 12% das prescrições cada um.

Diante desse cenário, podemos concluir que os congressos são, sem dúvida, uma ferramenta importante para atualização de médicos-veterinários – dos que estão em formação ou que já atuam no mercado de trabalho (clínicas médicas). Por outro lado, há, para os próximos anos, grande oportunidade para atrair profissionais vindos de estabelecimentos mistos, que apresentou importante crescimento em 2017.

Congressos têm se mostrado ferramenta efetiva para compartilhamento de informações. Na área médica principalmente, apresentações feitas por profissionais renomados, líderes em suas áreas, e ambientes que incentivem e permitem a troca de experiências, principalmente em tempos de crise que limitam a especialização através de cursos, são muito bemvindos. Para nós da Comac, estar à frente de tais iniciativas é natural e nos ajuda a cumprir nosso papel, de assessorar e apoiar empresas e profissionais do setor.

Gabriela Mura da Comissão de Animais de Companhia (Comac)