CASA BONITA OU CACHORRO SAUDÁVEL?

Sou professor de pós-graduação em Reabilitação Animal no IBRA – Instituto Brasileiro de Recursos Avançados, assim como professor em cursos internacionais também no mesmo tema. Em minhas aulas sempre falo para os alunos a mesma frase: “Não há um problema ortopédico sem existir uma causa. E na maior parte das vezes essa causa se encontra no ambiente”.

Depois de dizer isso, discorro sobre a importância de visitar a casa do cliente pelo menos uma vez antes de iniciar o tratamento, e isso se dá pela necessidade de corrigir o ambiente onde esse animal vive, caso contrário, durante todo o tratamento, estaremos agindo como se estivéssemos enxugando gelo. Ou seja, trataremos o animal, mas a causa continuará provocando as lesões nele.

Depois de discorrer sobre esse tema, as dúvidas aparecem, inclusive os exemplos práticos, já que a maior parte dos alunos é formada por profissionais já atuantes. Dentre os exemplos práticos eles sempre citam a resistência do responsável pelo animal em modificar sua casa, pois a maior parte das modificações exige o emprego de valores que muitas vezes podem ser altos, como por exemplo trocar todo o piso escorregadio da casa por um antiderrapante.

Nos casos onde o investimento se faz muito alto e o responsável não tem condições financeiras, oriento os alunos a convencerem os clientes a colocarem tapetes pela casa, além de portões que restrinjam a passagem do animal para a escada. E nesse caso, os colegas me alertam, com toda razão, que o responsável pelo animal argumenta que sua casa ficará feia se forem colocados tapetes, principalmente as passadeiras nos corredores e cozinha. Então, ensino os alunos a contra argumentarem perguntando quantas visitas aquela casa recebe por dia. É claro que a resposta será algo em torno de uma por semana ou mesmo uma por mês. Então o profissional deve perguntar quantos dias da semana o cachorro passa dentro daquela casa, e a resposta será que ele está sempre lá dentro.

Dessa forma, o veterinário deverá demonstrar para o responsável pelo animal que ele realmente precisa se colocar no seu papel de responsável e não somente alguém que dá abrigo e comida para aquele cão. Deve falar que o animal é muito mais importante que as visitas e que, com certeza, se quem entrar na casa escutar a história do motivo daqueles tapetes estarem lá, essa pessoa além de entender, achará o gesto muito nobre e passará a ver o responsável com outros olhos.

Mas, se mesmo assim o veterinário não conseguir convencer o seu cliente da importância da mudança do ambiente, ele deve tocar na parte mais sensível do corpo do ser humano que é o bolso que guarda a carteira com o dinheiro. E assim, falar que se o responsável não modificar o ambiente o tratamento se estenderá por muito mais tempo e poderá se perpetuar, gerando um gasto muito grande para o cliente. Isso, com certeza, o convencerá a modificar o ambiente, não se importando se a casa vai ficar feia ou não.

Eu costumo sempre levar esse tipo de conversa para o lado do humor, dizendo que acho ótimo o cliente não modificar a casa, pois o meu carro já está ficando velho e eu necessito trocá-lo, e dessa forma ele garantirá as prestações do mesmo.

Infelizmente algumas pessoas não se sentem responsáveis pelos animais e muitos nem sabem que isso é uma obrigação. Sendo assim, como o nome “proprietário” para se referir ao cliente está em desuso, em lugar de utilizar a palavra “tutor”, que tem sua definição no dicionário como algo relativo à criança e não aos animais, e com isso está empregada de maneira errada, eu adotei o termo “responsável” para me referir aos clientes e deixar bem claro para eles qual é o seu papel diante daquele ser totalmente dependente.

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